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Paulistas, cariocas, paranaenses, gaúchos,
catarinenses, nordestinos, mineiros e goianos destacam-se entre os
migrantes vindos de todas as parte do País. Cidade secular, Cuiabá é
pátria-mãe, acolhedora de todas as raças e todos os povos.
O Ciclo do Ouro, ainda no século XVIII, foi importante estímulo a esse
fluxo migratório. Em meados do século passado, o processo de ocupação e
colonização das terras mato-grossenses ficou conhecido como a “Marcha
para o Oeste”. Em 1970, a cidade vive uma explosão populacional,
motivada pelos projetos de desenvolvimento da Amazônia.
Esses fatores ajudam a entender como se formou essa mistura e o
caldeirão de diversidade cultural. Na capital, convivem harmoniosamente
nichos populacionais de todas as regiões do Brasil: Norte, Sul, Leste,
Oeste, Noroeste, Sudeste e Centro-Oeste.
Em meio a essa fusão de costumes e sotaques, o cuiabano de tchapa e
cruz, expressão usada para quem nasce em Cuiabá e dela não pretende
sair, preserva seu sotaque, suas crendices e seus valores. De manhã
cedinho, em jejum, ele toma o guaraná ralado na grosa com água “bem
gelada” e ganha a disposição necessária para mais um dia de trabalho e
lazer. A bebida, energética e famosa por seus poderes afrodisíacos, é
motivo de orgulho na região.
Os novos cuiabanos surgem desse encontro, frutos da atração estimulada
pelas diferenças e, talvez, da sedução na troca de olhares, mistérios e
encantos despertados pelos poderes do guaraná. |